Muitas pessoas se perguntam: afinal, o que é design thinking? Esse conceito chegou para se consolidar como a busca revolucionária de soluções inovadoras para um problema. Podemos dizer que esse método é o futuro dos negócios.

Completamente focado no outro, suas soluções são baseadas nas necessidades reais do indivíduo. Sua estrutura que enaltece o coletivismo e o colaborativismo, tem como motivação a satisfação do cliente e a constante busca por inovação.

Neste artigo explicaremos tudo o que você precisa saber sobre o assunto. Conheceremos seu conceito, como funciona, suas etapas e benefícios. Em seguida, mostraremos como você pode aprender a abordagem do design thinking, veremos como implementá-lo na gestão de negócios e conheceremos as suas principais ferramentas. Boa leitura!

O que é design thinking?

O termo, que já era existente desde 1919, foi popularizado a partir de 1991 por David Kelley, professor da Universidade de Stanford, e Tim Brown, ambos co-fundadores da Ideo, empresa de consultoria em design situada na Califórnia.

A proposta divulgada por eles é a de estabelecer a diferença entre ser um designer e pensar como um, buscando o intuito de conquistar um nível de inovação radical nas empresas.

Pode-se entender design thinking como um conjunto de práticas e processos para identificar soluções utilizando a criatividade e tendo como centro o ser humano. Sua implementação proporciona soluções ágeis e inovadoras de uma forma mais produtiva.

A experiência do usuário deve ser a força motriz para a busca de soluções. Afinal, esse é o grande diferencial do design thinking. Nele, o trabalho em grupo e a coletividade são estimulados, e o cliente também pode trabalhar em conjunto da equipe, tendo a chance de participar de todo o desenvolvimento.

É necessário observar o contexto do problema com uma visão empática a fim de identificar as adversidades e procurar soluções criativas. A ideia central é que ocorra a busca de informações e sua devida análise, tendo como fim o desenvolvimento da solução proposta a partir do conhecimento gerado.

Como funciona o design thinking?

Essa abordagem estimula o profissional a encontrar respostas. Para isso, ele deve compreender o problema e fazer as melhores perguntas antes de pensar como resolvê-lo. Utilizando-se as questões certas é possível desenvolver empatia com os envolvidos.

O ser humano está no centro do design thinking. Para desenvolver as soluções é necessário olhar pela perspectiva do outro, reconhecer emoções, compreender quais são os seus valores, dores e dificuldades.

Na busca pela solução ideal é necessário usar a interdisciplinaridade e nutrir um espírito colaborativo. Isso é essencial, pois o processo criativo gera mais valor ao unir ideias de diferentes pessoas. Quanto mais diversos forem os integrantes do grupo, mais variadas serão as propostas geradas.

O processo deve ser vivenciado e experimentado de todas as formas. Sensações, elementos visuais e evidências devem ser abordadas para chegar à correta percepção do problema e chegar a uma solução que realmente traga alguma espécie de valor para o cliente, dentro de suas necessidades.

Quais são as etapas do design thinking?

Trabalhar com design thinking é trabalhar em equipe. E, nesse caso, quanto mais gente melhor. Ao se reunir em uma equipe diversas pessoas, com diferentes talentos e mentalidades, são geradas ideias mais diversas. A partir daí o processo é dividido em 5 etapas. Vamos conhecê-las melhor a seguir.

1. Descoberta

Após selecionar e reunir a equipe que será responsável pelo projeto, é hora de fazer uma imersão para realizar a descoberta do problema. Os atores do projeto, seu escopo e limites são identificados e preparados para a pesquisa.

O projeto de pesquisa envolve uma análise aprofundada do problema. A empatia se faz necessária aqui, pois é preciso se colocar no lugar do outro para compreender suas reais necessidades. Podemos usar também técnicas como entrevistas ou trabalho de campo para se chegar às observações necessárias.

Com todas as descobertas concluídas, reúnem-se os possíveis insights, reflexões e conclusões geradas nessa fase. Eles servirão de base para a próxima etapa.

2. Interpretação

Os dados descobertos na etapa anterior passam agora por uma profunda interpretação. São criados padrões identificáveis seguindo uma lógica que permita a compreensão do problema discutido.

Essa é a fase onde será estipulado o foco em que a solução será trabalhada. Para isso, é fundamental que já se tenha bem definidas quais são as dores do cliente e qual o foco que deve ser buscado para solucioná-las. Deve ser escolhido ainda o público-alvo e o objetivo do projeto.

3. Ideação

Agora é o momento em que ocorre o brainstorming e mapas mentais. Aqui surge a criatividade, a identificação de pontos de vista. O problema deve ser interpretado com o uso de ideias inovadoras, sem um julgamento. Recomenda-se utilizar um grupo de profissionais de áreas diversas para que as soluções sejam as mais distintas possíveis.

Outra estratégia amplamente utilizada nesta fase é a seção de co-criação com o público e demais profissionais da área. O objetivo é gerar o maior número de soluções possíveis para o problema. Quanto mais diversificadas forem as ideias, melhor para o projeto.

Ao final do processo, a equipe deverá escolher as duas ou três melhores ideias dentre as geradas durante o brainstorming. Para isso pode ser feita uma votação, se necessário. As propostas selecionadas serão as soluções que passarão para a fase de prototipagem, e uma delas resultará no produto final.

4. Experimentação

É chegada a hora de tirar as ideias do papel e começar a desenvolver o projeto físico. Nesta fase são criados modelos de teste (chamados de protótipos) dos produtos selecionados na etapa anterior.

Esses modelos devem ser feitos em baixa fidelidade, investindo o mínimo possível de tempo, esforço e capital para a sua concretização. O produto, ao fim do processo, deve ser testável, seja quanto ao interesse do consumidor ou quanto ao seu uso direto.

O desenvolvimento de protótipos tem o objetivo de reduzir as incertezas sobre o produto, avaliar a sua real relevância e descobrir dificuldades que não haviam sido previstas. Serve ainda como forma de gerar um feedback mais eficiente.

Com o protótipo construído em mãos, o cliente e demais envolvidos no projeto podem testar a usabilidade do produto, tirar suas próprias conclusões quanto à sua eficiência, e solicitar ajustes onde necessário.

5. Evolução

O questionamento dessa etapa é: “como posso aprimorar o produto que acabei de criar?” É finalmente chegada a hora de escolher qual foi o protótipo que melhor atendeu às expectativas do cliente e implementá-lo.

O produto que será desenvolvido aqui será o MVP (Mínimo Produto Viável, ou em inglês, Minimum Viable Product). Esse deve ser um produto completamente funcional e com o mínimo das funcionalidades pretendidas, para que possa ser lançado de forma mais ágil no mercado.

A partir do lançamento do MVP, os clientes podem experimentar a nova solução e retornar suas opiniões. A empresa, então, pode confirmar se as premissas-chave foram cumpridas. Aquilo que estiver em desacordo com o gosto do público deve ser aprimorado, criando novas versões mais evoluídas do MVP.

Quais são os benefícios de sua utilização?

O Design Thinking tem sido muito utilizado pelas organizações no mundo inteiro para resolver desafios internos e externos. Confira alguns dos benefícios da aplicação dessa abordagem nas empresas.

Redução de custos

O investimento dessa ferramenta é maior em tempo do que em previsibilidade de receita. Por isso, pode-se dizer que é uma estratégia de baixo custo em relação ao benefício recebido, visto que as possibilidades de sucesso são muito altas.

Incentiva a criatividade

O design thinking gera soluções por meio da criatividade. Esse mesmo pensamento fora da caixa está presente em cada um de nós, seja em maior ou menor intensidade.

O lado bom é que ela pode ser estimulada e desenvolvida. Os processos da abordagem favorecem esse estímulo, aumentando a criatividade nos indivíduos envolvidos.

Estímulo à empatia

Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro e sentir o que ele sente. Como o design thinking busca soluções por meio de uma visão empática, o profissional aprende a sentir como o outro se sente, de forma a contribuir.

Melhora a comunicação

A comunicação costuma ser uma das grandes falhas na cultura corporativa. O design thinking colabora com essa área, pois para que ele exista é necessária uma comunicação clara e eficiente sobre os desafios a serem enfrentados e a solução a ser realizada.

Aumento da produtividade

Geralmente o processo de design thinking é rápido. Em pouco tempo desenvolve-se a solução, cria-se o protótipo e é gerado o MVP. Em outros métodos, o tempo gasto seria muito maior, consequentemente atrasando a produtividade e a eficiência operacional.

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Elimina desperdícios e retrabalho

Com o uso de protótipos, a empresa evita desperdícios e possíveis falhas humanas que levem ao retrabalho. O produto pode ser testado antes de ser oficialmente desenvolvido, o que ajuda a saber se ele realmente cumpre com o que foi estipulado.

Quais são as habilidades necessárias para trabalhar com design thinking?

Trabalhar com design thinking é ser capaz de identificar os anseios do cliente e responder satisfatoriamente às necessidades ainda não percebidas do mercado. Para isso é fundamental que o profissional desenvolva algumas habilidades, entre elas:

  • olhar observador, para ser capaz de identificar soluções inovadoras;
  • empatia com o consumidor, para entender o que ele sente e deseja;
  • capacidade de trabalhar em equipe e contribuir com o coletivo;
  • facilidade para lidar com pressões e prazos;
  • mente questionadora e capaz de identificar respostas;
  • abordagem holística para solução de problemas;
  • vontade de experimentar e construir.

Como aprender design thinking?

Existem muitas possibilidades de conhecer mais sobre design thinking. Se você deseja atualizar a formação de sua equipe para que corresponda às exigências do mercado de trabalho, existem diversas opções de cursos rápidos com excelente qualidade e reconhecidos por grandes empresas.

Agora, se o seu intuito for se aprofundar mais no tema, estão disponíveis muitos livros sobre o tópico. Entre eles, daremos destaque à obra Design Thinking – Uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias” escrito por Tim Brown, um dos fundadores dessa abordagem citado anteriormente neste texto.

Quem mora em São Paulo tem a possibilidade de se matricular em cursos presenciais, como os Cursos à Inovação & Design Thinking da Escola Superior de propaganda e Marketing (ESPM), ou os cursos da Escola Design Thinking já disponíveis em Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo.

Como implementar o design thinking na gestão de negócios?

A metodologia do design thinking pode ser aplicada em empresas dos mais diversos nichos e tamanhos. Muito utilizada por startups, as empresas mais inovadoras também já aderiram a esse eficiente método.

A abordagem já alcançou até mesmo empresas de ciência de dados e Inteligência Artificial como a Rise,que junto aos designers da Ideo criaram uma plataforma para atletas.

O maior desafio organizacional tem sido a troca da cultura da empresa. Vindas de uma forma tradicional de realizar projetos, é necessário agora implementar uma cultura de inovação e também estimular todos os colaboradores a mudar o seu mindset.

Uma boa questão a ser feita é: “como é o cenário em que o seu projeto entrega valor?” Se a empresa só estiver preocupada em vender, e não em como o seu produto será utilizado pelo cliente, será necessário modificar os valores para se adaptar ao design thinking.

Essa metodologia traz consigo uma visão multidisciplinar, mais interativa e colaborativa, que precisa estar alinhada à própria cultura da empresa. Seu objetivo é fazer com que a equipe pense em soluções focadas na reação do público final.

Por meio dessa abordagem desenvolve-se uma forma de pensar negócios criativamente e de proporcionar soluções tangíveis ao consumidor. Ela pode ser aplicada não somente na busca de resultados para o cliente, mas também em diversas áreas da empresa, por exemplo:

  • equipe de vendas: os vendedores podem usufruir das técnicas do design thinking para desenvolver a capacidade de se colocar no lugar do outro, e com isso criar técnicas mais eficientes de persuasão;
  • núcleo estratégico: os gestores serão capazes de realizar tomadas de decisão mais inovadoras, sem precisar, para isso, se remeter apenas às análises preditivas, e se voltar para as expectativas e desejos atuais do consumidor final;
  • liderança: a inovação é a principal forma de diferenciação de mercado e de vantagem competitiva.

Quais são as principais ferramentas de design thinking?

Com quais ferramentas um profissional de design thinking pode contar? Em uma profissão onde o principal fator é a inovação, os profissionais devem lançar mão de alguns métodos que auxiliam na transformação do mindset e aprimoram sua rotina de trabalho.

Citaremos aqui algumas ferramentas que o auxiliarão enormemente nesse processo, tanto para estimular a criatividade quanto para acelerar os processos.

Visualização

Nossa mente funciona melhor com o uso de representações visuais — por isso, use e abuse delas! Desenvolva desenhos, gráficos, diagramas, qualquer esquema visual que ajude a enxergar fisicamente o problema. Esse material transportado da sua mente para o papel ajuda a imaginar possibilidades e trazê-las à vida.

Pesquisa exploratória

Essa ferramenta auxilia a compreender o contexto do usuário. Para isso, são utilizadas entrevistas e observações. Com a utilização da pesquisa exploratória a equipe é capaz de se familiarizar com todas as pessoas envolvidas no processo e também com as reais necessidades do cliente.

Personas

Persona é a forma fictícia de se representar um cliente que seja ideal para um negócio. A criação de personas permite identificar arquétipos a partir das observações colhidas durante as entrevistas e pesquisas. Elas servem como guia para as estratégias de desenvolvimento de conteúdo e de marketing digital.

Note que a persona não é o público-alvo: ela é baseada em dados reais previamente colhidos em entrevistas sobre o comportamento e características demográficas dos clientes. Todo um pano de fundo também é criado para ela, tais como suas histórias pessoais, motivações, objetivos, desafios e preocupações.

Se necessário, podem ser criadas diversas personas para um mesmo produto ou serviço, desde que elas tenham interesse no produto ou serviço oferecido pelo cliente.

Mapa da empatia

É a empatia que permite que a equipe desenvolva um conhecimento mais profundo sobre o consumidor, sobre os seus problemas e suas necessidades. Para isso é realizada uma pesquisa com o cliente, que consiste em algumas perguntas estratégicas que têm como intuito traçar o seu perfil.

As respostas são colocadas em um quadro único (o uso de post-its é uma excelente alternativa). Elas devem ser divididas em blocos para facilitar sua visualização e compreensão das informações. Os blocos geralmente seguem a seguinte divisão:

  • o que o cliente pensa e sente?
  • O que o cliente vê?
  • O que o cliente fala e faz?
  • O que o cliente escuta?
  • Quais são as dores do cliente?
  • Quais são os objetivos do cliente?

Com a conclusão do mapa torna-se muito mais fácil compreender o cliente e traçar as suas necessidades corretamente.

Brainstorming

Também conhecido como “tempestade de ideias. A técnica do brainstorming consiste em estimular a geração de novas ideias e a busca por soluções inovadoras e criativas.

Funciona da seguinte forma: primeiro deve ser formado um grupo de profissionais das mais diversas áreas e níveis de experiência. Esse é um critério importante para que haja uma maior diversidade de pensamentos.

A seguir, o problema é apresentado a esse grupo. Após a sua análise, a equipe parte para um debate sobre quais seriam as melhores formas para solucionar o problema em questão. As ideias devem ser apresentadas sem interferência e sem um julgamento. Aqui a quantidade importa mais do que a qualidade.

Para que haja uma maior inspiração, podem ser oferecidas algumas fontes de inspiração (livros, artigos, filmes, cases de sucesso). Ao final do processo, a equipe deverá escolher as duas ou três melhores ideias para serem prototipadas.

Bodystorming

Em um processo semelhante ao brainstorming, essa ferramenta proporciona envolver-se com as sensações físicas do cliente. Aqui a equipe coloca-se na situação do consumidor, sendo capaz de sentir na prática as suas dores e suas dificuldades. Para o sucesso da técnica é necessário haver um bom planejamento e a utilização de artefatos que possibilitem criar situações reais.

Storyboard

O objetivo dessa ferramenta é comunicar uma ideia por meio de uma história. Para isso são utilizados desenhos, colagens, fotografias ou outros artefatos para criar um cenário que ilustre uma possível solução.

Um roteiro para a história deve ser desenvolvido previamente, e então ela deve ser separada em seções e utilizar atores, cenários e enquadramentos. O resultado final deverá permitir uma clara visualização da solução oferecida, sendo personalizada para o público-alvo específico.

Mapas mentais

Mapa mental é uma ferramenta que auxilia a organização e gestão de informações. Sua utilização propicia uma visão mais clara do processo criativo e ajuda a desenvolver insights mais relevantes.

Para usar essa ferramenta, o profissional deve partir de uma ideia central, e a partir daí começar a geração de ideias secundárias ou terciárias. Ele pode, ainda, buscar auxílio em recursos visuais, tais como figuras, desenhos, imagens, quadros ou cores.

Existem ferramentas que ajudam na criação dos mapas mentais. Destacamos aqui três que podem ser consideradas entre as melhores:

Gamification

O uso de jogos (games) é um recurso bastante utilizado para desenvolver o raciocínio e estimular a criatividade. No design thinking essa ferramenta pode ser explorada de forma a lançar desafios a serem superados pela equipe, despertando em todos a constante busca por inovação.

Co-criação com o cliente

Envolver o cliente na participação da criação da solução que mais se adeque às suas necessidades é uma importante ferramenta para o processo do design thinking. Ele pode participar das reuniões ou atividades em grupo e contribuir com seus conhecimentos e perspectivas.

As ferramentas podem e devem ser aplicadas para se chegar a um resultado satisfatório. Existe uma grande variedade delas, porém, mais importante do que aplicar a técnica é entender o porquê de sua utilização. Com esse entendimento, pode-se criar formas de olhar para o desafio e chegar a novos resultados.

Neste artigo nos aprofundamos sobre o que é Design Thinking. Descrevemos suas etapas, benefícios e vimos como implementá-lo. Conhecemos ainda suas ferramentas e a importância de sua utilização. Com isso, percebemos que esse processo pode ser extremamente benéfico para o crescimento de uma empresa.

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Beluga
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